Sempre gostei de fantasias, vivia de amores inventados e sentimentos exagerados. Era atriz e nem mesmo sabia. Tinha o meu próprio mundo, cheio de drama e personagens meus. Fingia que não precisava fantasiar, mas toda a minha vida era cinema. Já a minha mente, meu maior teatro. Então, um dia quando o espetáculo se fez real, com toda sua beleza e sem o drama, eu não quis atuar. Quis não ser parte. Preferi ser espectadora. Quando o amor quase se fez presente, quando finalmente alguém quis fazer das fantasias canto e dança no palco da vida real, eu fugi pela porta dos fundos. Assim mesmo, descaradamente pelos fundos. Metade por medo, metade por precaução. Mas a verdade é só uma: Eu gosto de ser só. É, essa é a verdade. Nua e crua. Gosto de ser minha, só minha e de mais ninguém.
"Sou fera, sou bicho, sou anjo e sou mulher
Sou minha mãe e minha filha,
Minha irmã, minha menina
Mas sou minha, só minha e não de quem quiser."
[ 1º de Julho - Cássia Eller/ Legião Urbana]

